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Ser Bonzinho e Saudável: Uma Tentativa

28/08/2014

Tentar ser bonzinho, estudar, ter um bom emprego, casar e constituir família não é parâmetro para a felicidade. Ao contrário, esta só pode ser alcançada com muito estresse, medicações para ansiedade e depressão. Será que está tão difícil viver a vida?

Dopar para anestesiar um sintoma tem sido a premissa para a vida em sociedade. Está tão complicado nos reconhecermos que temos coibido os sintomas com medicações, sem tentarmos entender o porquê da nossa frustração. Adultos e crianças têm sido as vítimas de uma vida sem prazer e realizações, acreditando serem diferentes dos demais por não possuírem uma forma de ser como a preconizada pelos valores sociais.

Precisamos nos sentir reconhecidos pelas coisas que temos em nós, que constituem a nossa forma de ser. Não somente pelos nossos feitos, eles são importantes, sem dúvida, mas não expressa, de forma isolada, quem somos. As crianças estão carentes de uma boa vida, que se forma através de relações de amor, qualidade do tempo em família e cumplicidade de seus cuidadores nas questões do dia a dia. Não estamos conjecturando a família “x” ou “y”, classificando-as em perfeita ou imperfeita, ao contrário, anunciamos uma família de vínculos saudáveis, sem classificações estereotipadas.

Como tudo é uma grande teia, nada se dá isolado de algo que não tenha origem ou repercussão em cada um de nós. A nossa sociedade está doente porque, além do descuido com a saúde do povo, adoece também a escola através da marginalização da pessoa do professor. Da mesma forma, os pais têm sido destituídos do seu papel de autoridade, uma vez que se sentem inibidos em dar limites e punir para uma saudável educação. Complementando isso tudo, temos o mundo virtual cheio de sedução, imediatismo e formas ilusórias de ser e relacionar-se. Como ser um bom professor competindo com tudo isso? Como conseguir desempenhar um bom papel de pai ou de mãe hoje em dia?

Percebemo-nos sem respostas e por isto nos entristecemos através da frustração e nos deprimimos pelo acúmulo de tristezas. Então, surge a angústia através do vazio que habita em nós quando olhamos a nossa volta e não encontramos satisfação naquelas coisas que perfazem as nossas vidas. Resultado: solidão; este tem sido o nosso estado. Professores e pais têm estado solitários no exercício diário de seus papéis e, ao invés de tratá-los de forma saudável, indo ao encontro das suas reais necessidades, os afastamos com o argumento de estarem adoecidos.

Quando rotulamos alguém nós o excluímos do ato de pensar sobre ele, como se não tivéssemos qualquer compromisso, delegando a outrem a solução. Com esta atitude, deixamos de oportunizar o crescimento coletivo que acontece através da empatia, isto é, da faculdade de conseguirmos nos colocar no lugar do outro. É desta cumplicidade que estamos necessitando: além da escuta, também a compreensão e a acolhida. Assim, conseguiríamos estar mais sãos, tratando devidamente dos adoecidos e nos posicionando com bom senso diante de tudo o que possa comprometer as normas sociais de boa convivência.

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